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Necessidade da Proclamação do Evangelho

  NECESSIDADE DA PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO Uma Reflexão sobre Romanos 10:13-17 Introdução O texto de Romanos 10:13-17 ocupa um lugar central na teologia paulina, destacando a universalidade da salvação, a natureza da fé e a urgência da pregação do evangelho. O apóstolo Paulo, ao escrever aos romanos, apresenta uma sequência lógica que esclarece a dinâmica da salvação: a invocação de Cristo como Senhor está intrinsecamente ligada à proclamação da Palavra. Este breve artigo busca explorar o significado, os fundamentos teológicos e as implicações práticas deste trecho. A Amplitude do Chamado à Salvação "Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo" (Rm 10:13). Esse versículo abre a passagem destacando a inclusão universal do plano redentor de Deus. A frase “todo aquele” transcende barreiras culturais, étnicas e sociais, mostrando que a salvação está disponível para todos, independentemente de sua origem. Aqui, Paulo ecoa a mensagem do profeta Joel (Jl 2:32), amp...

O dízimo não é para a igreja

 

O dízimo não é para a igreja



O dízimo não é uma prática para a igreja. Nunca foi! O líder religioso que assim procede está errando teologicamente, submetendo o seu rebanho a um jugo que não lhe pertence.

A prática do dízimo é vista na Bíblia antes da Lei, como nos casos de Gênesis 14:18-20 (dízimo de Abrão, dos despojos de guerra), em Gênesis 28:20-22 (o dízimo de Jacó), e o texto de Hebreus 7:1-4 – do sacerdócio de Jesus a Melquisedeque (antes da égide da Lei).

O dízimo é praticado por Israel, na dispensação da Lei: Deuteronômio 14:22-26; 26:12. E já existia dinheiro na época. O texto mais usado para pôr medo na igreja é o de Malaquias 3:8-10; 4:4. Mas este texto é bem claro em dizer “mantimento”, ou seja, alimento para o sustento do Templo, onde viviam os levitas, que não receberam terras na partilha das tribos de Israel. Mas o texto deixa bem claro que refere-se a Israel. E o devorador era uma espécie de gafanhoto, não uma entidade demoníaca, como já  ouvi alguns pregarem. E, ainda, Mateus 23:23 – Jesus, sob a Lei (o Novo Testamento começou na cruz), dirige-se aos fariseus (judeus), que estavam debaixo da Lei (o Templo funcionava e necessitava sustento para os levitas).

O dízimo nunca foi uma prática destinada à igreja, pois esta nasceu na dispensação da graça, tendo a Lei morrido com Jesus (Romanos 6). Para a igreja está a contribuição voluntária e generosa, sem a imposição legalista (2 Coríntios 9:7).

Eu prefiro acreditar que muitos obreiros, por “descohecimento bíblico”, utilizam o versículo de Malaquias 3:10 no momento do ofertório (dedicação dos dízimos e ofertas), que não seja por malícia, mas por pura ignorância.

O quê dizer então acerca da contribuição? Ela deve acontecer (Gálatas 6:6), mas de maneira voluntária, com a máxima generosidade. É a lei da sementeira, quem semeia pouco, colhe pouco, quem semeia muito se farta.

É mister observar que nas Epístolas Gerais, que contém a doutrina da igreja, não existe ordem, de Paulo ou de qualquer outro autor do Novo Testamento sobre a prática obrigatória do dízimo. Torno a lembrar que o dízimo está disposto no Antigo Testamento, era para o povo de Israel, antes e durante a vigência da Lei, mas nunca debaixo da graça, esta não abarca a doutrina do dízimo, que existe no bojo do Antigo Testamento, somente. Qualquer contribuição no Novo Testamento deve ser voluntária, conforme orientado em 2 Coríntios, capítulo 9. Se não fosse assim, constaria nos autos do Novo Testamento a observância da prática do dízimo.

É sabido, contudo, que esta breve explanação pode vir a despertar a ira de obreiros  que pregam a prática do dízimo na igreja. Eu não retirarei o que disse, ao menos que eu seja convencido pelas Escrituras e pela razão simples de que estou equivocado, e não por doutrinas de igreja ou concílios que são falhos e controversos. Quem quiser, porém, continue enganando e sendo enganado, vai da consciência de cada um.

Entretanto, muito embora o dízimo seja uma prática veterotestamentária, é sabido da necessidade de recursos para se administrar uma igreja. Nesse  caso é até salutar a prática do dízimo e da contribuição generosa (ofertas). Só não se pode dizer que o dízimo no Novo Testamento é bíblico, e/ou ameaçar a igreja com textos do Velho Testamento, como por exemplo Malaquias 3:8+12 (para Israel, NÂO para a igreja).


Porto Belo, 20 de julho de 2023.


Gustavo Maders de Oliveira, D.Miss.


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