IGREJA PARA O MUNDO: A MISSÃO DE TRANSFORMAR
A igreja, como comunidade de fé, desempenha um papel essencial não apenas na vida dos seus membros, mas também na sociedade como um todo. Ser "igreja para o mundo" significa transcender os limites das paredes físicas de templos e edifícios religiosos, levando valores, amor e serviço a todas as áreas da vida humana. Neste artigo, exploramos o significado e o impacto dessa missão.
1. O Chamado para a Transformação
Desde os tempos de Jesus e dos primeiros discípulos, a essência da igreja sempre foi a de ser uma presença transformadora no mundo. O chamado de Jesus, conforme descrito no Evangelho de Mateus 5:14-16, é claro: “Vocês são a luz do mundo”. Ser essa "luz" é um convite à igreja para influenciar positivamente, promovendo justiça, compaixão e esperança onde quer que esteja. Ou seja, não é ser frequentador de culto, apenas, mas viver de modo a influenciar pessoas ao Evangelho, com palavras e principalmente com atitudes.
2. A Igreja Além das Fronteiras
A ordem de Jesus deixada aos crentes (Marcos 16:15 – “… a toda criatura”) e a abrangência da missão registrada em Atos 1:8 (“até os confins da terra”) nos apontam para uma realidade: a igreja tem a missão de propagar o Evangelho na sua cidade, estado, país e fora dele (no mundo todo). O versículo 8 de Atos 1 também nos oferece o tempo da missão (“tanto em, como em”), isto é, simultaneamente. Como? Indo (ou enviando), orando e contribuindo financeiramente. Missões se faz com os pés de quem vai, com os joelhos de quem ora, e com as mãos dos que contribuem.
Uma igreja para o mundo reconhece que sua missão vai além das fronteiras geográficas ou culturais. Ela se envolve em ações que buscam acabar com a fome, oferecer educação de qualidade, lutar por igualdade e cuidar do meio ambiente. Essa abordagem global reflete a visão de uma igreja que abraça a diversidade humana e reconhece a dignidade de cada pessoa como obra do Criador.
3. Prática do Amor em Ação
Ser uma igreja para o mundo significa colocar o amor em prática. Através de ações sociais, projetos de voluntariado, atendimento aos mais vulneráveis e defesa dos direitos humanos, a igreja pode ser um agente de mudança. Inspirada no exemplo de Cristo, ela é chamada a caminhar lado a lado com os marginalizados, oferecer apoio aos necessitados e ser um refúgio para os que sofrem.
Ocorre, algumas vezes, que a igreja de Cristo tem sido igreja para a igreja, e não igreja para o mundo. Dessa forma, “engorda” espiritualmente e não assiste os necessitados. Lembrando que igreja são as pessoas, não um templo, ou somente a liderança, ou um CNPJ. A síntese da missão da igreja está em 1 Pedro 2:9: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.”
4. O Impacto Espiritual e Social
Enquanto a igreja impacta o mundo (pelo menos deveria impactar) através de ações práticas, como o assistencialismo, ela também traz uma contribuição espiritual significativa. Ela oferece esperança, sentido de propósito e uma visão de vida que transcende dificuldades e adversidades. Além disso, comunidades de fé podem ser centros de reconciliação, promovendo diálogo e paz em contextos de conflito.
Conclusão
Ser igreja para o mundo é uma jornada que exige compromisso, humildade e coragem. É entender que a fé não é algo para ser guardado, mas compartilhado através de atitudes e escolhas diárias. É viver de forma que os valores do Reino de Deus sejam uma realidade visível para todos.
Jeremias profetizou no capítulo 23 do seu livro sobre os maus pastores, que não apascentam direito as suas ovelhas, e escreve sobre o juízo de Deus sobre eles. Mas a responsabilidade pela igreja estar, muitas vezes, fora do propósito cristão à qual foi instituída é da própria igreja, isto é, da sua membresia, afinal, é a congregação que escolhe a sua liderança (ao menos deveria ser). São os membros que evangelizam e prestam socorro aos necessitados.
Na contramão da igreja reformada, algumas congregações evangélicas priorizam seus ministérios, ostentação material, vaidade, em detrimento de “amparar os órfãos e as viúvas, e não se deixar influenciar pela corrupção do mundo” (Tiago 1:27), a saber, a verdadeira religião. Neste contexto também muitas igrejas que se dizem evangélicas não praticam a essência do Evangelho, que é pregar a Cristo (a salvação). Isso fica para o Pastor ou outro líder, quando pregam um sermão evangelístico. Aos membros cabe no máximo convidar amigos, vizinhos ou parentes para ir ao culto (missão centrípeta). São erros muito comuns na igreja contemporânea.
Um modelo de igreja que funciona é o de pequenos grupos (células/hubs), onde existe a comunhão, louvor, estudo da Palavra de Deus, pastoreamento, etc. É o que mais se aproxima da igreja do Novo Testamento (livro de Atos). Um pequeno grupo deve se multiplicar, para isso, deve evangelizar (cada membro deve ser um evangelista em potencial).
O desafio está lançado: como podemos, enquanto igreja e como indivíduos, ser essa luz que transforma e inspira o mundo ao nosso redor? Que cada passo nessa direção seja guiado pelo amor incondicional que nos foi mostrado primeiro. Assim seremos igreja para o mundo!
Porto Belo, 17 de março de 2025.
GUSTAVO MADERS DE OLIVEIRA, D.Miss.
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